Dramas e documentário movimentam programação do Cine Metrópolis a partir desta quinta-feira, 7

07/05/2026 - 15:05  •  Atualizado 07/05/2026 18:28
Texto: Leandro Reis     Edição: Thereza Marinho
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Cena de Eclipse em que aparece a protagonista dentro de uma banheira

Dois filmes brasileiros de forte teor social e um longa-metragem francês renovam a programação do Cine Metrópolis nesta quinta-feira, 7. Dirigido por Djin Sganzerla, Eclipse aborda a violência contra as mulheres no universo sombrio da deep web, ao acompanhar a história de uma astrônoma em crise emocional. Já o documentário Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia, percorre vários estados brasileiros para mostrar a segregação vivida pelas trabalhadoras domésticas dentro das casas dos patrões. O Metrópolis também começa a exibir o drama Nino de Sexta a Segunda, de Pauline Loquès, vencedor do César de Melhor Filme de Estreia.

Seis anos depois de Mulher Oceano, seu primeiro longa-metragem como diretora, a atriz Djin Sganzerla volta à direção em Eclipse, filme em que interpreta a protagonista Cleo, uma astrônoma nos seus últimos meses de gravidez. Enquanto recebe a visita inesperada de sua meia-irmã indígena, Cleo começa a entender o comportamento estranho do marido quando descobre que ele frequenta sites misóginos na deep web. Eclipse foi selecionado em festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o San Diego Latino Film Festival e o Istanbul International Spring Film Festival. 

Filha de uma trabalhadora doméstica, a cineasta Karol Maia reflete, em Aqui Não Entra Luz, sobre os espaços de moradia das mulheres que cuidam das casas dos patrões. Permeado por depoimentos de mulheres negras que vivem e viveram a experiência do “quarto de empregada”, espaço de violência e exclusão, que tem suas raízes na senzala das pessoas escravizadas, o documentário questiona o passado e o presente de um país apoiado na segregação racial.

Cena de Nino de Sexta a Segunda onde aparece o protagonista andando de bicicleta em uma avenida
Cena de Nino de Sexta a Segunda

Representante estrangeiro da programação desta semana, Nino de Sexta a Segunda faz referência ao clássico Cléo das 5 às 7 (1962), de Agnès Varda, para contar a história de um jovem parisiense que recebe um inesperado diagnóstico de câncer. A narrativa acompanha Nino durante o fim de semana entre a notícia da doença e o início do tratamento, período em que tenta se reconectar com as pessoas à sua volta. O filme de Pauline Loquès venceu dois César, “o Oscar do cinema francês”, nas categorias de Melhor Filme de Estreia e Melhor Ator Revelação (para Théodore Pellerin).

Além das estreias, o Metrópolis segue exibindo A Cronologia da Água, de Kristen Stewart.

Projeto de extensão

Na próxima quarta-feira, 13 de maio, às 13 horas, o projeto de extensão Uma História do Cinema no Cine Metrópolis exibe o filme A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsiao-hsien. A obra integra a programação do novo módulo do projeto, Imagens da Infância, que se dedica às histórias com crianças como protagonistas. A iniciativa segue neste tema até o dia 1º de julho, com exibições gratuitas todas as quartas-feiras e emissão de certificado para as pessoas interessadas.
 

Confira as sinopses dos filmes em cartaz no Cine Metrópolis de 7 a 13 de maio: 

Eclipse, de Djin Sganzerla (Brasil, 2026) 

Cleo é uma astrônoma que passa por um período de crise. Emocionalmente fragilizada e grávida, inesperadamente recebe a visita de sua meia-irmã indígena. O encontro as conduz a uma jornada compartilhada de descobertas, despertando memórias esquecidas e fragmentadas em Cleo e revelando segredos sombrios de ambas. Nessa investigação, a convivência entre as duas permite que se construa um elo inesperado cujas consequências as transformam.

Cena de Aqui não entra luz em que aparece uma mulher negra em uma cozinha
Cena de Aqui não entra luz

Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia (Brasil, 2026) 

Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre os quatro estados brasileiros que mais receberam mão de obra escravizada e revela como os espaços de moradia foram projetados para segregar corpos e sustentar hierarquias. No caminho, encontra mulheres que enfrentam esse legado e lutam para que suas filhas possam sonhar outros destinos. O filme constrói um retrato íntimo e político de como a arquitetura no Brasil ainda carrega os traços da escravidão.

Nino de Sexta a Segunda, de Pauline Loquès  (França, 2026) 

Nino é um jovem que vive em Paris e descobre em um exame de rotina que tem câncer. O tratamento deve começar no início da semana seguinte. O filme retrata os dias entre o diagnóstico e o início do tratamento, em que ele tenta assimilar a notícia e elaborar como contar para os que são próximos. Nesse final de semana, tentará se reconectar consigo mesmo e com o mundo que o rodeia, numa jornada de reflexão sobre a vida, a fragilidade e as relações humanas. Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2025. 

A Cronologia da Água, de Kristen Stewart (Estados Unidos/França/Letônia, 2026)

Em sua estreia na direção, Kristen Stewart leva às telas as memórias de Lidia, uma jovem que cresce marcada pelo abuso sexual do próprio pai na infância e na adolescência. Na natação, ela encontra uma forma de sobreviver, mas seus sonhos atléticos são interrompidos, e ela se afunda em um ciclo de autossabotagem. Aos poucos, descobre na escrita um caminho para habitar o próprio corpo e transformar o trauma em possibilidade de existir. 

Veja os horários das sessões na página do Cine Metrópolis

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