Estação científica do arquipélago de São Pedro e São Paulo já conta com abrigo de emergência. Estrutura é a 2ª etapa da obra

05/11/2026 - 14:25  •  Atualizado 05/11/2026 18:18
Texto: Thereza Marinho, com informações do LPP
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Foto do abrigo

A Ufes concluiu a construção de uma nova estrutura que compõe a 3ª Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP). Trata-se do shelter, um abrigo de emergência projetado para proteger pessoas, equipamentos e instrumentos científicos de condições ambientais adversas.

A professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Ufes e coordenadora do projeto de construção da nova estação, Cristina Engel, afirma que nesta etapa foi possível testar uma nova técnica construtiva para, a partir dos aprimoramentos, iniciar a construção da edificação principal.

"Foram adotadas soluções estruturais com material pultrudado e sistema de vedações com compósito polimérico com fibra de vidro, além de sapatas em concreto e amortecedores para a absorção da energia dos eventuais tremores a que a ilha está sujeita. Todo o projeto foi concebido considerando as restrições dos meios de transporte e a necessidade de desenvolver sistemas passíveis de montagem, uso, operação e manutenção por pessoal não especializado. A técnica foi plenamente aprovada, devendo ser feito alguns ajustes somente no que se refere aos acabamentos”, disse Engel.

Segunda etapa

Com a construção do shelter, a Ufes finalizou a segunda etapa da obra. A estação científica, quando concluída, será composta pela edificação principal na parte mais baixa da Ilha Belmonte; o shelter, localizado na porção superior; uma escadaria que une ambas as edificações; e as instalações complementares relacionadas à dessalinização da água do mar, sistema fotovoltaico para obtenção de energia e sistema de comunicação, entre outros. A construção da escadaria de acesso foi concluída em junho deste ano, fazendo com que o transporte e as atividades de construção na parte superior da ilha fossem facilitadas.

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Foto do abrigo visto do mar

O pós-doutorando junto ao Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Ufes Bernardo Dias, que coordena todas as atividades de campo, enfatiza que “além da missão de construção do shelter ter sido plenamente cumprida, é importante observar que não tivemos nenhum acidente, o que demonstra a importância dos cuidados adotados nos períodos pré-expedição, desde a aquisição de material de segurança até o treinamento da equipe para lidar com as situações absolutamente adversas do local. Não haveria sucesso se alguém tivesse sofrido qualquer dano físico”.

A construção da nova estação científica está sendo desenvolvido por uma equipe multidisciplinar vinculada ao Laboratório de Planejamento e Projetos (LPP) da Universidade. A iniciativa conta com financiamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participação da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (Fest) e apoio da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm), da Base Naval de Natal (BNN) e da Marinha do Brasil.

Desafios

Engel destaca que, durante o desenvolvimento dos projetos básico e executivo, os desafios construtivos inerentes ao arquipélago devem sempre ser considerados. "Entre eles se destacam a complexa logística de transporte e desembarque de materiais; a necessidade de preservar a fauna local por meio da minimização dos impactos ambientais; a implantação de um canteiro de obras enxuto e eficiente, com otimização dos espaços e dos fluxos de trabalho, além da busca por soluções que garantam a durabilidade das construções. Nesse contexto, um dos fatores de fundamental importância é a escolha criteriosa de materiais e sistemas construtivos, considerando ainda o desempenho e a longevidade das estruturas, visto ser este um dos ambientes mais inóspitos do território brasileiro", afirma.

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo, distante cerca de 1.100 quilômetros da costa brasileira, é local de realização de pesquisas científicas de diversos temas – tais como biologia, oceanografia, engenharia de pesca, física, sismologia, geologia, dentre outros – cujos pesquisadores são provenientes de centros de pesquisa de todo o Brasil. Além da importância científica, a ocupação desse território propicia ao Brasil uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) que abrange o arquipélago e uma área de cerca de 370 quilômetros de raio ao seu redor, na qual somente o Brasil possui direito de realizar atividades econômicas e de pesquisa.

Fotos: LPP

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