Reprodução por miniestaquia é alternativa para árvores da Mata Atlântica em extinção

A produção de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica por meio da técnica de miniestaquia é o foco de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Ufes. Segundo a professora que orienta as pesquisas, Elzimar Gonçalves, do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira, três espécies florestais ameaçadas de extinção já foram testadas com essa técnica: jacarandá-da-Bahia (Dalbergia nigra), braúna (Melanoxylon braúna) e peroba-amarela (Paratecoma peroba). O jacarandá é uma das madeiras mais valiosas do mundo e foi intensamente explorado nos setores de construção civil e moveleiro.

“Em geral, as mudas de espécies nativas são produzidas por sementes. Mas, por uma série de fatores, não é sempre que temos sementes disponíveis, nem em quantidade nem em qualidade. Daí surgiu a ideia de tentar propagar essas espécies usando uma técnica de reprodução assexuada, ou seja, usando uma parte da planta para fazer a propagação”, explica a professora.

O primeiro passo de cada experimento é a produção da muda matriz por semeadura. Quando surgem as primeiras brotações, é feita a poda e as chamadas miniestacas – de 4 a 10 centímetros – são colocadas num substrato para enraizar. Nessa etapa, as plantas ficam numa casa de vegetação – na área experimental da Ufes em Jerônimo Monteiro – com temperatura máxima de 30 a 35 graus e umidade relativa do ar acima de 80%. A alta umidade, conta a professora, é necessária porque as miniestacas ainda não têm raiz para absorver a água. “Saturamos o ambiente de umidade para evitar a desidratação até que os processos fisiológicos ocorram para emissão do sistema reticular”, detalha Elzimar Gonçalves. Após 60 dias no ambiente controlado, as mudas enraizadas vão para outra estrutura, chamada casa de sombra, para aclimatação antes de serem expostas a sol pleno.

“No caso do jacarandá-da-Bahia, fizemos um minijardim com 150 minicepas (foto principal), que são as matrizes. Fomos até a etapa do enraizamento e agora é necessário continuar a pesquisa”, afirma a professora. O experimento com a peroba foi além, até a produção da muda final (foto ao lado). “A peroba emitiu muita brotação, enraizou após 40 dias. Fizemos testes com substratos e reguladores, em recipientes diferentes. Chegamos à muda em 120 dias”, comemora. A braúna não teve o mesmo êxito até então, pois as miniestacas não enraizaram no ambiente controlado.

Vantagens

Segundo a professora, a vantagem da reprodução por meio da técnica de miniestaquia é a possibilidade de ter mudas durante todo o ano, enquanto que a reprodução por semente é sazonal. “A peroba, em alguns casos, só floresce a cada dois anos. Então há períodos em que não temos semente, logo, a reprodução assexuada pode ser a solução”, explica. Outra vantagem é que a técnica pode ser usada no melhoramento genético das espécies. “É uma opção para complementar a produção de mudas que é feita por semente”, afirma. Ela lembra que, para viabilizar projetos de restauração florestal, é necessário produzir árvores nativas em muita quantidade.

As pesquisas têm apoio, via edital público, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e da Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Estado do Espírito Santo (SEAG).

Texto: Sueli de Freitas
Imagens:
Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais
Edição: Thereza Marinho

 

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