Ufes e Fest vão integrar e liderar projeto interministerial para descontaminação e reabilitação da bacia do Rio Doce

30/01/2026 - 18:40  •  Atualizado 30/01/2026 19:44
Texto: Luiz Vital     Edição: Thereza Marinho
Compartilhe
Foto aérea do Rio Doce

A Ufes foi convidada pelo governo federal para integrar e liderar, em parceria com a Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest), o projeto interministerial ProDoce – Protocolos de Descontaminação e Reabilitação Produtiva da Bacia do Rio Doce. O projeto objetiva a reparação de danos ambientais e socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, com foco na recuperação da capacidade produtiva das áreas afetadas e no atendimento a cerca de 17 mil pequenos agricultores do Espírito Santo e de Minas Gerais.

Nesta sexta-feira, 30, foi realizada a apresentação do projeto e o primeiro encontro técnico no campus de Goiabeiras, com a presença do reitor da Universidade, Eustáquio de Castro, de representantes de diferentes órgãos federais que coordenam o ProDoce, de pesquisadores e de membros das comunidades atingidas. Realizada no auditório do Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Metodologias para Análise de Petróleos (LabPetro), do Centro de Ciências Exatas (CCE) da Ufes, com transmissão on-line, a reunião apresentou o projeto a pesquisadores em saúde de solos e vegetais para acompanhamento e monitoramento da bacia do Rio Doce e litoral norte capixaba.

“Este projeto é muito importante para o Espírito Santo e o país, e conta com a participação direta de diferentes órgãos federais e do governo do estado. Ele vai envolver pesquisadores de diversas áreas do conhecimento com o fundamental suporte técnico e operacional da nossa Fundação Espírito-Santense de Tecnologia, a Fest”, afirmou o reitor.

Ele lembrou que o ProDoce está inserido no contexto da repactuação relacionada ao desastre de Mariana, em que a Ufes já atua há pelo menos 10 anos. “A Ufes foi convidada a participar e a liderar esse projeto, que é interministerial, por conta da sua excelente atuação na execução do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática, o PMBA, na região do rio Doce”, destacou. “É a Ufes sendo protagonista e contribuindo, mais uma vez, com o desenvolvimento social, econômico e científico do Espírito Santo e do país”, completou.

Além do reitor da Ufes e do superintendente da Fest, Armando Biondo, participaram do seminário: Iara Ervilha, representante da Casa Civil da Presidência da República; Marina Lima, do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Adriana Aranha, da Gerência Extraordinária de Reparação do Rio Doce (Gerex) e Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater); Ivana Guerreiro, Gustavo Goretti e Joice Esteves, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); Iêda Mendes e João Viana, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Igor de Assis, representando a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Sociedade Brasileira de Ciências do Solo; e Pedro Carvalho e Ita Maria Macedo, ambos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Recuperação do solo

Imagem
Foto dos representantes de instituições em pé, na frente do auditório
Da esquerda para direita: Ivana Guerreiro, do Mapa; reitor Eustáquio de Castro; Adriana Aranha, da Anater; Iara Ervilha, da Casa Civil; Armando Biondo e Patrícia Bourguignon, da Fest; e Larissa Zanin, diretora e integrante da equipe de coordenação de projetos e programas no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce

A meta central do projeto é viabilizar a reabilitação dos solos e a revitalização de espécies vegetais cultivadas nas regiões atingidas pela lama de rejeitos despejadas no Rio Doce. O ProDoce também busca ampliar a compreensão científica sobre os efeitos da contaminação nos sistemas produtivos da região. A aprovação do ProDoce ocorreu em setembro de 2025, com base nas diretrizes do Comitê do Rio Doce, e coordenado pela Casa Civil da Presidência da República.
No período da manhã, os pesquisadores debateram os dados consolidados da base técnico-científica, por meio de um panorama histórico e técnico e de dados científicos produzidos nos últimos anos, além de experiências institucionais e acadêmicas desenvolvidas, sobretudo pelo Comitê Interfederativo (CIF) e pelo PMBA, executado pela Ufes em parceria com a Fest. O detalhamento e desdobramentos desses processos foram feitos pela gerente de projetos da Fundação, Patrícia Bourguignon. Também foi apresentada a metodologia e o cronograma do projeto para o período até 2028, contemplando diferentes ações nos municípios e comunidades de atuação.

No período da tarde foi apresentada a proposta de plano de trabalho do ProDoce, a contextualização do projeto, seus objetivos, escopo e sua abrangência territorial nos municípios atingidos do Espírito Santo e de Minas Gerais. Também foi feita a apresentação do comitê gestor e dos grupos temáticos de trabalho, além de propostas de parcerias e de agendas futuras.

O ProDoce tem a perspectiva de atuar até 2028, com cronograma e orçamentos anuais. Os recursos são originários do Fundo Rio Doce, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto integra as ações do Novo Acordo do Rio Doce, homologado em novembro de 2024 entre a União, governos estaduais, instituições de Justiça e as empresas envolvidas na tragédia.

O ProDoce é coordenado pelo Mapa, em parceria com o MDA, e, para desenvolver as ações do projeto foi estabelecido acordo de cooperação técnica com a Fest, que é fundação de apoio à Ufes, e que também atende a outras instituições federais como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). 

Fotos: Governo do ES e Luiz Vital

Categorias relacionadas