A Ufes registrou mais duas cultivares de Coffea canephora, que engloba os cafés conilon e robusta, junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Batizadas de Jaguaré e Itabela, em referência aos municípios do Espírito Santo e da Bahia, respectivamente, onde os experimentos foram desenvolvidos, as novas cultivares somam-se a outras que já estão no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Mapa, totalizando 12 registradas pela Ufes desde 2017.
Veja neste link as cultivares já registradas pela Ufes no Mapa.
As duas cultivares foram produzidas pelo Núcleo de Excelência de Pesquisa em Café Conilon (Nepecc) da Ufes, composto por professores e estudantes de graduação (iniciação científica) e pós-graduação (mestrado e doutorado) vinculados ao Laboratório de Pesquisas Cafeeiras da Ufes, no campus de São Mateus. Os experimentos contam com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de agricultores, além de parcerias com outras instituições de ensino do Brasil e do exterior.
O coordenador do Nepecc/Ufes e professor do Departamento de Ciências Agrárias e Biológicas, Fábio Partelli, conta que os 48 genótipos utilizados no experimento, chamado de ensaio de competição, vieram de Rondônia e foram avaliados nas condições climáticas e de solo do Espírito Santo e da Bahia em quatro colheitas, no período de 2023 a 2026. As lavouras foram desenvolvidas em propriedades privadas parceiras em Jaguaré/ES e em Itabela/BA.
Após o ensaio, foram selecionados nove genótipos que melhor se adaptaram às condições climáticas do Espírito Santo: AS6, B11, 07, VR11, B12, R22, RG2, LB80 e AS2. A produtividade média anual nas safras de 2023 a 2026 da cultivar Jaguaré foi de 140,2 sacas por hectare (sc/ha), enquanto a média de outros genótipos avaliados ficou em 103,3 sc/ha.
Para as condições climáticas do extremo sul da Bahia, foram identificados seis genótipos com melhor produtividade: A1, AS2, B12, G20, G30 e LB80. A média de produção da cultivar Itabela ao longo das quatro safras (2023 a 2026) e do período de maturação foi de 108,1 sc/ha, enquanto a média dos demais genótipos avaliados foi de 83,48 sc/ha.
Distribuição de mudas
As primeiras 300 mudas de café das cultivares Jaguaré e Itabela estão sendo produzidas pelo Nepecc/Ufes, com apoio da Fapes, para distribuição a viveiristas e produtores a partir de março de 2027. “Nossa expectativa é atender a cerca de 30 viveiristas e agricultores com dez mudas de cada clone nessa primeira remessa”, afirmou Partelli.
As informações sobre os experimentos serão compartilhadas com a comunidade no 4º Simpósio de Pesquisas e Tecnologias em Coffea canephora e no 15° Simpósio do Produtor de Conilon, eventos que vão acontecer no campus da Ufes em São Mateus nos dias 25 e 26 de novembro, respectivamente. Produtores, pesquisadores, estudantes, profissionais do setor e demais pessoas interessadas podem se inscrever para os simpósios clicando aqui. Os eventos são gratuitos, mas é solicitada a doação de dois quilos de alimento não perecível para envio a uma instituição de amparo social.
Universidade Federal do Espírito Santo