Espécie vegetal da Mata Atlântica é descoberta na região serrana do Espírito Santo

07/08/2026 - 10:09  •  Atualizado 07/08/2026 10:17
Texto: Sueli de Freitas     Edição: Leandro Reis
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Planta Philodendron luanae

Uma nova espécie de planta da Mata Atlântica foi descoberta na região serrana do Espírito Santo e recebeu o nome de Philodendron luanae. O nome é uma referência à pesquisadora Luana Calazans, do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes, especialista em plantas da família Araceae, grupo botânico que inclui espécies conhecidas, como as taiobas, a costela-de-adão, as jiboias, os antúrios e a comigo-ninguém-pode.

A descoberta foi descrita pelo pesquisador Alexandre Magno, mestrando da Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e colaborador do Herbário Vies, da Ufes, e publicada na revista científica Phytotaxa, dedicada à taxonomia vegetal, no último mês de julho.

Identificada a princípio por meio de observações publicadas na plataforma de ciência cidadã iNaturalist, a planta foi posteriormente investigada num trabalho de campo direcionado em áreas montanhosas do Espírito Santo. A partir da coleta de amostras e de análises em laboratório, Magno confirmou que a espécie ainda não havia sido descrita pela ciência.

Philodendron luanae está presente na região serrana dos municípios capixabas de Castelo e Alfredo Chaves. A espécie apresenta folhas triangulares e uma inflorescência (agrupamento de flores em um mesmo ramo) com características que a distinguem de plantas aparentadas do mesmo grupo. Segundo o pesquisador, essas diferenças foram confirmadas por meio de análises morfológicas detalhadas e comparações com materiais de herbário e espécies já conhecidas.

Planta Philodendron luanae

Apesar de atualmente ser conhecida em apenas duas localidades, os pesquisadores acreditam que novas populações possam ser encontradas em áreas ainda pouco exploradas da região serrana capixaba.

Ciência cidadã

Na avaliação de Magno, a descoberta reforça a importância da participação da sociedade na produção do conhecimento científico. Nos últimos anos, plataformas colaborativas – por exemplo, a iNaturalist, que reúne registros fotográficos de vegetação – têm se tornado ferramentas importantes para pesquisas em biodiversidade, conservação e taxonomia, permitindo que observações feitas por cidadãos auxiliem diretamente no registro de espécies raras, ameaçadas ou ainda desconhecidas.

Outra descoberta

Essa não é a primeira descrição de nova espécie encontrada nas montanhas do Espírito Santo a partir das pesquisas de Magno. O botânico apontou a existência da planta ornamental Philodendron quartziticola, que se assemelha ao popular antúrio (Anthurium andraeanum), em locais próximos às unidades de conservação Reserva Águia Branca (no município de Vargem Alta) e Reserva Kaetés (que se estende entre os municípios de Castelo, Vargem Alta, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves), em áreas denominadas morros de sal.

Fotos: Alexandre Magno

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