A promoção da saúde de mulheres em situação de vulnerabilidade é o foco do projeto de extensão Promoção da Saúde de Mulheres Dependentes Químicas Institucionalizadas, coordenado pela professora do curso de Nutrição do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS/Ufes) Fabiana de Cássia Oliveira. A iniciativa integra a série Ufes por Elas: iniciativas que transformam vidas de mulheres capixabas, destacando ações da Universidade voltadas ao cuidado, à dignidade e à equidade.
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Com foco exclusivo nas mulheres acolhidas para reabilitação na Fazenda da Esperança São Francisco de Assis, em Alegre (sul do estado), o projeto atua desde 2015 na promoção da saúde e qualidade de vida. Durante o período de internação, que pode variar de três a 12 meses, as mulheres recebem acompanhamento mensal de parâmetros corporais, como peso, índice de massa corporal (IMC), percentual de gordura e pressão arterial, além de participarem de ações de educação alimentar e nutricional. As atividades promovem conhecimento sobre saúde e alimentação, contribuindo para escolhas mais conscientes.
Segundo a coordenadora, a abstinência de substâncias psicoativas costuma provocar alterações no comportamento alimentar, com aumento do volume ingerido e consequente aumento de peso. De acordo com ela, quase todas as mulheres apresentam essa alteração corporal ao ingressarem na reabilitação (“o que é visto como positivo, para a maioria delas”), em alguns casos podendo chegar a até 20 quilos a mais.
A iniciativa, então, atua no monitoramento do estado nutricional e na promoção de hábitos alimentares saudáveis, incentivando atenção plena ao comer, relação positiva com a comida e com a própria imagem corporal. “O projeto busca valorizar essas mulheres que são, muitas vezes, marginalizadas da sociedade, e resgatar junto a elas o seu autocuidado e autoestima”, explica Oliveira. Ao todo, cerca de 170 mulheres já foram acompanhadas pela iniciativa.
Ações integradas
O trabalho, que tem raízes no curso de Nutrição, ultrapassou as fronteiras da especialidade ao integrar ações voltadas à autonomia, ao autocuidado e à autoestima das residentes. Ao longo dos anos, o projeto ampliou seu caráter multidisciplinar. Parcerias com o curso de Agronomia possibilitaram a criação de horta e pomar na fazenda, contribuindo para a qualidade da alimentação, oferta de ocupação às residentes e aprendizado de possível ofício. A colaboração com o curso de Psicologia viabilizou atividades terapêuticas em grupo, enquanto educadores físicos voluntários passaram a incentivar a prática de atividade física. “O projeto está consolidado na instituição e suas ações impactam na melhoria de hábitos alimentares, estilo de vida e saúde”, destaca Oliveira.
A iniciativa também cumpre papel formativo. Estudantes de Nutrição aplicam, na prática, conhecimentos de avaliação antropométrica, diagnóstico e conduta nutricional, além de elaborarem atividades de Educação Alimentar e Nutricional com base nas necessidades identificadas. “Ao cuidarem da saúde nutricional das internas, eles praticam os conhecimentos adquiridos em sala de aula”, destaca Oliveira. Paralelamente, o projeto tem gerado pesquisas científicas sobre ganho de peso, prática de atividade física, comportamento alimentar e satisfação corporal, cujos resultados retroalimentam o cuidado prestado.
Para os próximos anos, a meta é fortalecer parcerias existentes, estabelecer novas colaborações multiprofissionais e aprofundar a investigação de fatores associados ao comportamento alimentar que influenciam o ganho de peso durante o período de reabilitação. “Pretendemos continuar a busca por fomento para adquirir equipamentos que poderão auxiliar no cuidado nutricional, como glicosímetro, hemoglobinômetro ou balanças de bioimpedância”, finaliza a coordenadora.
A ação Promoção da Saúde de Mulheres Dependentes Químicas Institucionalizadas foi integrada a uma iniciativa maior, o projeto de extensão Promoção da Segurança Alimentar e Nutricional em Instituições de Acolhimento de Alegre (Projeto Sania), também coordenado por Fabiana de Cássia Oliveira.
Fotos: Projeto Sania
Universidade Federal do Espírito Santo