Campus de Goiabeiras vai sediar II Seminário Internacional Habitação, Mobilidades e Desigualdades. Inscrições abertas

09/03/2026 - 15:10  •  Atualizado 09/03/2026 16:24
Texto: Tatiana Moura     Edição: Thereza Marinho
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Cartaz de divulgação do evento

Nos próximos dias 26 e 27 de março, a Ufes sediará a segunda edição do Seminário Internacional Habitação, Mobilidades e Desigualdades, que tem como objetivo debater as transformações urbanas e metropolitanas na América Latina e na Europa, com foco nas dinâmicas de migração, mobilidade e desigualdade socioespacial. As atividades acontecerão no Auditório do prédio IC-II e no Laboratório de Geotecnologias, no campus de Goiabeiras. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link até o dia 20.

A conferência de abertura será ministrada pelo pesquisador da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) Jorge Rodríguez, que ainda conduzirá um workshop sobre análises comparativas na América Latina. Os professores do Departamento de Geografia Ednelson Dota e Carlos Teixeira Júnior; a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo Latussa Monteiro; o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Raphael Villela; e o pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) Pablo Lira também integram a lista de palestrantes.

A programação articula momentos acadêmicos e atividades práticas ao longo dos dois dias. No dia 26, após o credenciamento e a sessão de abertura, haverá a conferência internacional Migración y sistemas de asentamientos humanos en América Latina: continuidad y cambio en el siglo XXI (Migração e sistemas de assentamentos humanos na América Latina: continuidade e mudança no século XXI). Em seguida, terá início uma mesa-redonda com pesquisadores de diferentes instituições, debatendo o tema "Mobilidades e produção da cidade". À noite, será realizado o workshop "População, pesquisa e educação: acesso a banco de dados e metodologias no ensino de Geografia", voltado especialmente a estudantes e professores interessados no uso de dados no ensino.

No dia 27, pela manhã, ocorrerá um workshop internacional sobre análises comparativas em processos de urbanização na América Latina. À tarde, os participantes farão visitas técnicas a áreas estratégicas de Vitória, com observação direta de processos de urbanização recente, dinâmicas habitacionais, mobilidade urbana e desigualdades socioespaciais.

A programação completa do seminário está disponível no site do evento e no perfil @demografiapop no Instagram.

Dinâmicas

Para o doutorando em Geografia e presidente da comissão organizadora, Jhonatan Telles, discutir habitação, mobilidades e desigualdades é fundamental, pois são nas cidades que essas dinâmicas se tornam mais visíveis e impactam diretamente a vida das pessoas. Ele observa que as mobilidades urbanas são intensas em países desenvolvidos assim como naqueles em desenvolvimento e, se em outros momentos históricos as migrações internas e internacionais tiveram maior protagonismo, atualmente é dentro das próprias metrópoles que ocorre a maior parte dos deslocamentos, especialmente a mobilidade residencial.

“A habitação ocupa um papel central neste processo. É ela que organiza as trajetórias de vida no espaço urbano. No entanto, essa dinâmica não depende apenas da oferta de moradia. Fatores ligados a infraestrutura, serviços, transportes, mercados imobiliário e de trabalho, e as mudanças demográficas, como a queda da fecundidade e o crescimento de arranjos familiares menores, influenciam diretamente tanto a demanda quanto o tipo de moradia procurado”, analisa.

Deslocamentos forçados

Ele ainda acrescenta que, no contexto atual, marcado por processos de gentrificação (processo de revitalização de uma região urbana, atraindo pessoas com maior poder econômico para essa área e, muitas vezes, forçando a saída dos seus residentes e comerciantes originais) e pela expansão de moradias em áreas de risco e de ocupação desordenada, a mobilidade muitas vezes deixa de ser uma escolha e passa a ser uma imposição.

“Famílias são deslocadas pelo aumento dos preços ou por situações de vulnerabilidade ambiental, redefinindo suas trajetórias habitacionais dentro da metrópole. Por isso, discutir habitação e mobilidade é, necessariamente, discutir desigualdades. Trata-se de compreender quem pode escolher onde morar, quem é forçado a se deslocar e quais são os impactos sociais, econômicos e territoriais desses movimentos na produção do espaço urbano”, pontua.

O seminário integra o projeto "As migrações internas e as novas formas urbanas e metropolitanas: Brasil, Argentina, Chile, México e Espanha" e é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

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