Dois filmes brasileiros de forte teor social e um longa-metragem francês renovam a programação do Cine Metrópolis nesta quinta-feira, 7. Dirigido por Djin Sganzerla, Eclipse aborda a violência contra as mulheres no universo sombrio da deep web, ao acompanhar a história de uma astrônoma em crise emocional. Já o documentário Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia, percorre vários estados brasileiros para mostrar a segregação vivida pelas trabalhadoras domésticas dentro das casas dos patrões. O Metrópolis também começa a exibir o drama Nino de Sexta a Segunda, de Pauline Loquès, vencedor do César de Melhor Filme de Estreia.
Seis anos depois de Mulher Oceano, seu primeiro longa-metragem como diretora, a atriz Djin Sganzerla volta à direção em Eclipse, filme em que interpreta a protagonista Cleo, uma astrônoma nos seus últimos meses de gravidez. Enquanto recebe a visita inesperada de sua meia-irmã indígena, Cleo começa a entender o comportamento estranho do marido quando descobre que ele frequenta sites misóginos na deep web. Eclipse foi selecionado em festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o San Diego Latino Film Festival e o Istanbul International Spring Film Festival.
Filha de uma trabalhadora doméstica, a cineasta Karol Maia reflete, em Aqui Não Entra Luz, sobre os espaços de moradia das mulheres que cuidam das casas dos patrões. Permeado por depoimentos de mulheres negras que vivem e viveram a experiência do “quarto de empregada”, espaço de violência e exclusão, que tem suas raízes na senzala das pessoas escravizadas, o documentário questiona o passado e o presente de um país apoiado na segregação racial.
Representante estrangeiro da programação desta semana, Nino de Sexta a Segunda faz referência ao clássico Cléo das 5 às 7 (1962), de Agnès Varda, para contar a história de um jovem parisiense que recebe um inesperado diagnóstico de câncer. A narrativa acompanha Nino durante o fim de semana entre a notícia da doença e o início do tratamento, período em que tenta se reconectar com as pessoas à sua volta. O filme de Pauline Loquès venceu dois César, “o Oscar do cinema francês”, nas categorias de Melhor Filme de Estreia e Melhor Ator Revelação (para Théodore Pellerin).
Além das estreias, o Metrópolis segue exibindo A Cronologia da Água, de Kristen Stewart.
Projeto de extensão
Na próxima quarta-feira, 13 de maio, às 13 horas, o projeto de extensão Uma História do Cinema no Cine Metrópolis exibe o filme A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsiao-hsien. A obra integra a programação do novo módulo do projeto, Imagens da Infância, que se dedica às histórias com crianças como protagonistas. A iniciativa segue neste tema até o dia 1º de julho, com exibições gratuitas todas as quartas-feiras e emissão de certificado para as pessoas interessadas.
Confira as sinopses dos filmes em cartaz no Cine Metrópolis de 7 a 13 de maio:
Eclipse, de Djin Sganzerla (Brasil, 2026)
Cleo é uma astrônoma que passa por um período de crise. Emocionalmente fragilizada e grávida, inesperadamente recebe a visita de sua meia-irmã indígena. O encontro as conduz a uma jornada compartilhada de descobertas, despertando memórias esquecidas e fragmentadas em Cleo e revelando segredos sombrios de ambas. Nessa investigação, a convivência entre as duas permite que se construa um elo inesperado cujas consequências as transformam.
Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia (Brasil, 2026)
Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre os quatro estados brasileiros que mais receberam mão de obra escravizada e revela como os espaços de moradia foram projetados para segregar corpos e sustentar hierarquias. No caminho, encontra mulheres que enfrentam esse legado e lutam para que suas filhas possam sonhar outros destinos. O filme constrói um retrato íntimo e político de como a arquitetura no Brasil ainda carrega os traços da escravidão.
Nino de Sexta a Segunda, de Pauline Loquès (França, 2026)
Nino é um jovem que vive em Paris e descobre em um exame de rotina que tem câncer. O tratamento deve começar no início da semana seguinte. O filme retrata os dias entre o diagnóstico e o início do tratamento, em que ele tenta assimilar a notícia e elaborar como contar para os que são próximos. Nesse final de semana, tentará se reconectar consigo mesmo e com o mundo que o rodeia, numa jornada de reflexão sobre a vida, a fragilidade e as relações humanas. Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2025.
A Cronologia da Água, de Kristen Stewart (Estados Unidos/França/Letônia, 2026)
Em sua estreia na direção, Kristen Stewart leva às telas as memórias de Lidia, uma jovem que cresce marcada pelo abuso sexual do próprio pai na infância e na adolescência. Na natação, ela encontra uma forma de sobreviver, mas seus sonhos atléticos são interrompidos, e ela se afunda em um ciclo de autossabotagem. Aos poucos, descobre na escrita um caminho para habitar o próprio corpo e transformar o trauma em possibilidade de existir.
Veja os horários das sessões na página do Cine Metrópolis.
Universidade Federal do Espírito Santo