Cine Metrópolis recebe mostra sobre envelhecimento LGBT+ nos dias 16 e 17 de março. Entrada gratuita

13/03/2026 - 15:06  •  Atualizado 13/03/2026 16:09
Texto: Leandro Reis, com informações da assessoria do evento     Edição: Thereza Marinho
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Cena de Filhas da Noite, na qual uma personagem aparece deitada, com a cabeça no colo de outra pessoa

Nos próximos dias 16 e 17 de março, o Cine Metrópolis recebe a segunda edição da Mostra CineLGBT50+, promovida pelo ES Cineclube Diversidade, que este ano completa 13 anos de atividade cineclubista. Com entrada gratuita, o evento exibirá filmes que abordam diversos temas relacionados à terceira idade de pessoas LGBTQIAPN+. 

Durante os dois dias de mostra, das 15 às 18 horas, serão exibidas obras cinematográficas entre curtas, média e longas-metragens, produzidos nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Pernambuco, além de cinepoemas com fragmentos de filmes, clipes musicais, vídeos em VHS, entre outros formatos. 

A curadoria dos filmes foi realizada pelo cineclubista e um dos fundadores do ES Cineclube Diversidade, Fabricio Fernandez. Segundo o curador, os filmes giram em torno de temas como o direito à cidade; visibilidade da população idosa LGBT+; moradia e inexistência de instituições de longa permanência voltada para pessoa LGBT+; HIV/aids; vivências artísticas, dissidências e lutas históricas contra normatividades, além da expansão do orgulho grisalho e da gerontologia e geriatria LGBT+ no Brasil.

“O tema é o envelhecimento LGBT, mas a mostra é para todas as idades. A curadoria foi realizada a partir do artigo ‘Cartografando estilizações do homoerotismo na velhice’, do psicólogo Daniel Kerry, em que ele diz que sujeitos interpelados como ‘velhos’ e que se autodeterminam homossexuais, lésbicas ou trans e travestis, experienciam modos de vida não heterossexuais e acabam por ter que se confrontar com uma matriz heterossexual e com um valor de juventude socialmente produzido como um ideal regulatório”, afirma Fernandez.

A Mostra CineLGBT50+ é realizada por meio do Edital nº 15/2024 de Difusão Audiovisual, do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult).


Confira a programação e a sinopse dos filmes:

Segunda-feira, 16 de março, 15h:

Depois de tudo (Rafael Saar, RJ)
Depois da despedida, a espera. Depois da espera, a volta. Depois de tudo, o que mais querem é estar juntos e um dia basta para esperarem pelo próximo.

Os finais de Domingos (Olavo Junior, CE)
Domingos, um idoso com a saúde frágil, segue sua rotina solitária em uma tarde de domingo, até que recebe a visita de um amor do passado.

Os animais mais fofos e engraçados do mundo (Renato Sircilli, SP)
Jorge tem 70 anos e é um dos faxineiros mais caprichosos e dedicados do Motel Paradise, com um único detalhe: ele grava escondido os áudios dos frequentadores das suítes. Vender esses áudios para Alberto lhe garante uma renda extra, mas também afeto, ainda que Jorge não se lembre mais como é o som de seu próprio prazer.

Filhas da noite (Henrique Arruda e Sylara Silvério, PE)
Chamadas por um Globo espelhado tão extinto das pistas quanto as próprias noites de glória, plumas e paetês de todas elas, seis atrizes e performers veteranas da capital pernambucana revisitam seus passados e revivem suas mais íntimas memórias diante das câmeras. 
 

Cena de Peixe Abissal, na qual parte do rosto de um homem aparece emergindo de bolhas em um cenário azul
Cena de Peixe Abissal

Terça-feira, 17 de março, 15h

Waldo (Fabrício Fernandez e Diego Nunes, ES)
Nascido da amizade entre dois escritores, o filme apresenta o artista Waldo Motta como o construtor de um sistema de pensamento poético sobre o sagrado.

Bailão (Marcelo Caetano, SP)
Um mosaico. A construção de uma voz coletiva a partir de suas sinceras ambiguidades. Uma declaração de amor. Um filme sobre heróis. A memória de uma geração queer visitada por seus personagens. O cenário é o centro de uma grande cidade; o enredo, a urgência da vida. E o Bailão, o ponto de convergência dessas histórias.

Filhos da noite (Henrique Arruda, PE)
Oito homens gays entre 50 e 70 anos compartilham suas memórias, vivências e imagens noturnas, questionando-se sobre qual lugar seus corpos ocupam agora. “Filhos da Noite” é um espelho de memórias que reúne pesquisas, imagens, vídeos, relatos e afetos de corpos LGBTQIA+ acima dos 50 anos.

Peixe Abissal (Rafael Saar, RJ)
Seres luminosos, divinos e mundanos, líricos e selvagens, masculinos e femininos. Homens, mães e santas emergem em um mergulho profundo no universo poético do escritor e compositor Luís Capucho. Soropositivo desde os anos 1990, Capucho utiliza a doença e suas sequelas físicas como fontes de sua reinvenção artística. 

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