Projeto presta assistência à saúde mental para pessoas privadas de liberdade em São Mateus

Promover a dignidade, resgatar a autoestima e garantir condições para o amadurecimento pessoal são alguns dos objetivos do projeto de extensão DignaMente: promoção de saúde e prevenção de maiores agravos através de oficinas terapêuticas às pessoas privadas de liberdade. Com atuações no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Mateus, o projeto ficou em primeiro lugar dentre as ações extensionistas do Centro Universitário Norte do Espírito Santos (Ceunes/Ufes) na edição 2020 do Prêmio de Mérito Extensionista Maria Filina, colocação que se repetiu nas duas edições anteriores da premiação.

DignaMente compõe a série de reportagens sobre projetos e programas de extensão desenvolvidos pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex), iniciando com as 26 ações finalistas do Prêmio. As reportagens são publicadas no portal da Ufes todas as quintas-feiras (veja a lista completa abaixo).

O projeto visa criar condições para que a pessoa privada de liberdade tenha uma boa reinserção na sociedade por meio de práticas assistenciais, oficinas terapêuticas e construção de projetos singulares. “Nosso objetivo é auxiliar no redescobrimento e no fortalecimento dos valores humanos universais desses homens e mulheres, elaborando o perfil do sofrimento mental comum, segundo as classificações diagnósticas oficiais. Além disso, buscamos promover o autocuidado, prevenir agravamentos de sintomas psicossomáticos e depressão, permitindo a reabilitação verdadeira em longo prazo”, explica Heletícia Galavote, uma das coordenadoras do projeto de extensão.

Equipe

Os professores Heletícia Galavote (Enfermagem) e Jefferson Hemerly (Farmácia), do Departamento de Ciências da Saúde (DCS); Rita de Cássia Cristofoleti (Pedagogia), do Departamento de Educação e Ciências Humanas (DECH); e Francielly Jacentink (Psicologia), da Faculdade Multivix São Mateus, são os coordenadores do projeto. Os trabalhos são realizados desde 2017, tendo como público-alvo internos e funcionários do CDP e contam com apoio, atualmente, de 14 estudantes dos cursos de graduação do Ceunes e de quatro membros da comunidade externa.

De acordo com pesquisas realizadas pela equipe do projeto, estruturas arquitetônicas inadequadas, superlotação, má alimentação, sedentarismo, falta de higiene e atmosfera opressiva estão dentre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de psicopatologias dentro do cárcere. “Isso faz com que pessoas privadas de liberdade, comparadas com a população geral, possuam mais altos índices de transtornos mentais. Daí a necessidade do desenvolvimento de atividades que atuem de forma preventiva e promovam a saúde, a fim de reduzir os agravos frequentes dessa população”, ressalta Heletícia Galavote.

Reinserção social

No CDP, o DignaMente realiza práticas assistencialistas por meio de oficinas terapêuticas de até 1h30 de duração, que incluem música, teatro, leitura, práticas integrativas e complementares, e educação em saúde. Além disso, há um trabalho de desenvolvimento de terapias cognitivas comportamentais e mediação de conflitos que tem como objetivo contribuir com um ambiente carcerário mais humano, seguro e eficiente para encarcerados e funcionários, diminuindo a agressividade, a violência e os níveis de tensões. Nos três primeiros anos de atividades, o projeto atendeu cerca de 1.400 internos.

“A pessoa privada de liberdade apresenta dificuldades em conduzir a própria saúde. O ambiente opressivo, a discriminação social e a falta de apoio familiar produzem perda da autonomia e dificuldade em enxergar um caminho melhor fora da prisão. A inserção de oficinas terapêuticas como instrumento de promoção e prevenção da saúde amplia os horizontes da reinserção social e do cuidado na saúde prisional”, analisa a coordenadora.

Oficinas

Na oficina de música, as canções são usadas como apoio na discussão de temas pré-determinados, como a importância de assumir hábitos saudáveis. O teatro é utilizado como maneira de levar os internos a refletirem sobre o que fizeram e os desafios para o futuro. “É um meio de expressar, através da arte, o que eles não conseguem usando as palavras. Um momento de aprender a lidar com o outro, já que o teatro trabalha o conceito de equipe”, explica Heletícia Galavote.

A oficina de leitura busca levar aos internos informações atuais que refletem no cotidiano deles, como saúde no sistema penitenciário, formas de prevenção a doenças e o dever do Estado quanto à saúde das pessoas privadas de liberdade. “É uma forma de fazer com que eles se sintam inseridos como cidadãos e desenvolvam o pensamento correto sobre sua vivência em sociedade”, analisa a coordenadora.

Durante as práticas integrativas e complementares, a equipe do projeto apresenta aos internos os benefícios da técnica de meditação, utilizando metodologias oriundas da medicina tradicional chinesa por meio de práticas corporais e mentais.

Impacto

Além das oficinas, a população privada de liberdade tem acesso a consultas de Enfermagem em Saúde Mental e a atividades de educação em saúde, nas quais os estudantes, sob orientação dos professores, abordam temáticas como hipertensão e diabetes.

Estudante de Enfermagem do Ceunes, Mateus Santos foi bolsista do projeto entre meados de 2019 e início de 2021, atuando na organização das atividades dos voluntários. Para ele, fazer parte da equipe foi lisonjeiro, pois foram muitos os conhecimentos adquiridos no decorrer das oficinas. “O projeto apresenta um impacto enorme em nossa formação, pois o pouco conhecimento sobre o sistema prisional e as fantasias que a mídia impõe acabam gerando aflição ou medo, algo que é modificado após a primeira oficina terapêutica”, analisa Santos, que representou o projeto DignaMente durante cerimônia virtual com os vencedores do Prêmio Maria Filina, em novembro de 2020.

Em março de 2020, com a pandemia do novo coronavírus, a direção da unidade prisional não permitiu mais a entrada da equipe, e os trabalhos do projeto no CDP foram suspensos. Desde então, os estudantes bolsistas realizam atividades a distância, como leituras de artigos para capacitação com temáticas que envolvem pessoas privadas de liberdade e participação em seminários e cursos virtuais. A equipe do projeto segue atualizando o perfil do DignaMente no Instagram.

Segundo Heletícia Galavote, o projeto de extensão DignaMente tem notoriedade por ser o único que estava atuante na proposta de parceria entre a Ufes e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), vinculado ao projeto Universidade no Cárcere: “O projeto estimula os estudantes à cidadania e ao dever social e tem sido convidado a realizar palestras por seu êxito”.

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Texto: Adriana Damasceno
Imagens: Divulgação do projeto
Edição: Thereza Marinho

 

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