Nos próximos dias 16 e 17 de março, o Cine Metrópolis recebe a segunda edição da Mostra CineLGBT50+, promovida pelo ES Cineclube Diversidade, que este ano completa 13 anos de atividade cineclubista. Com entrada gratuita, o evento exibirá filmes que abordam diversos temas relacionados à terceira idade de pessoas LGBTQIAPN+.
Durante os dois dias de mostra, das 15 às 18 horas, serão exibidas obras cinematográficas entre curtas, média e longas-metragens, produzidos nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Pernambuco, além de cinepoemas com fragmentos de filmes, clipes musicais, vídeos em VHS, entre outros formatos.
A curadoria dos filmes foi realizada pelo cineclubista e um dos fundadores do ES Cineclube Diversidade, Fabricio Fernandez. Segundo o curador, os filmes giram em torno de temas como o direito à cidade; visibilidade da população idosa LGBT+; moradia e inexistência de instituições de longa permanência voltada para pessoa LGBT+; HIV/aids; vivências artísticas, dissidências e lutas históricas contra normatividades, além da expansão do orgulho grisalho e da gerontologia e geriatria LGBT+ no Brasil.
“O tema é o envelhecimento LGBT, mas a mostra é para todas as idades. A curadoria foi realizada a partir do artigo ‘Cartografando estilizações do homoerotismo na velhice’, do psicólogo Daniel Kerry, em que ele diz que sujeitos interpelados como ‘velhos’ e que se autodeterminam homossexuais, lésbicas ou trans e travestis, experienciam modos de vida não heterossexuais e acabam por ter que se confrontar com uma matriz heterossexual e com um valor de juventude socialmente produzido como um ideal regulatório”, afirma Fernandez.
A Mostra CineLGBT50+ é realizada por meio do Edital nº 15/2024 de Difusão Audiovisual, do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult).
Confira a programação e a sinopse dos filmes:
Segunda-feira, 16 de março, 15h:
Depois de tudo (Rafael Saar, RJ)
Depois da despedida, a espera. Depois da espera, a volta. Depois de tudo, o que mais querem é estar juntos e um dia basta para esperarem pelo próximo.
Os finais de Domingos (Olavo Junior, CE)
Domingos, um idoso com a saúde frágil, segue sua rotina solitária em uma tarde de domingo, até que recebe a visita de um amor do passado.
Os animais mais fofos e engraçados do mundo (Renato Sircilli, SP)
Jorge tem 70 anos e é um dos faxineiros mais caprichosos e dedicados do Motel Paradise, com um único detalhe: ele grava escondido os áudios dos frequentadores das suítes. Vender esses áudios para Alberto lhe garante uma renda extra, mas também afeto, ainda que Jorge não se lembre mais como é o som de seu próprio prazer.
Filhas da noite (Henrique Arruda e Sylara Silvério, PE)
Chamadas por um Globo espelhado tão extinto das pistas quanto as próprias noites de glória, plumas e paetês de todas elas, seis atrizes e performers veteranas da capital pernambucana revisitam seus passados e revivem suas mais íntimas memórias diante das câmeras.
Terça-feira, 17 de março, 15h
Waldo (Fabrício Fernandez e Diego Nunes, ES)
Nascido da amizade entre dois escritores, o filme apresenta o artista Waldo Motta como o construtor de um sistema de pensamento poético sobre o sagrado.
Bailão (Marcelo Caetano, SP)
Um mosaico. A construção de uma voz coletiva a partir de suas sinceras ambiguidades. Uma declaração de amor. Um filme sobre heróis. A memória de uma geração queer visitada por seus personagens. O cenário é o centro de uma grande cidade; o enredo, a urgência da vida. E o Bailão, o ponto de convergência dessas histórias.
Filhos da noite (Henrique Arruda, PE)
Oito homens gays entre 50 e 70 anos compartilham suas memórias, vivências e imagens noturnas, questionando-se sobre qual lugar seus corpos ocupam agora. “Filhos da Noite” é um espelho de memórias que reúne pesquisas, imagens, vídeos, relatos e afetos de corpos LGBTQIA+ acima dos 50 anos.
Peixe Abissal (Rafael Saar, RJ)
Seres luminosos, divinos e mundanos, líricos e selvagens, masculinos e femininos. Homens, mães e santas emergem em um mergulho profundo no universo poético do escritor e compositor Luís Capucho. Soropositivo desde os anos 1990, Capucho utiliza a doença e suas sequelas físicas como fontes de sua reinvenção artística.
Universidade Federal do Espírito Santo